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Imprensa

 

Correio Braziliense, 21 de novembro de 2009

Perdão, mister Fiel provoca forte impacto na plateia do Festival de Brasília

Ricardo Daehn, Tiago Faria e Yale Gontijo

Desde a solenidade de abertura, um tema incômodo não abandona a programação do 42º Festival de Brasília. Todos os longas-metragens exibidos até a noite de quinta-feira trataram — direta ou indiretamente — da resistência à ditadura militar. Em Lula, o filho do Brasil, a repressão oficial foi encenada com o tom brando de um folhetim. Já em Filhos de João, admirável mundo novo baiano, as memórias dos anos de chumbo serviram de contraponto para a experiência libertária dos Novos Baianos. Mas nada se compara à forma incisiva como o documentário brasiliense Perdão, mister Fiel encarou o trauma político. A investigação jornalística, com depoimentos de impacto, provocou aplausos demorados e comoção no Cine Brasília.

Dirigido pelo alagoano Jorge Oliveira, de longa experiência no jornalismo, o projeto revira os horrores do governo militar a partir da morte sob tortura do operário Manoel Fiel Filho, em 1976. A morte do militante, que tirou literalmente o sono do presidente Ernesto Geisel, é lembrada hoje como o episódio trágico que iniciou a abertura política do país. Na plateia, a viúva de Manoel, Thereza de Lourdes Fiel, assistiu à homenagem pela primeira vez. “O filme mexeu comigo. Acho importante que as pessoas conheçam essa história. Fiquei triste mas, ao mesmo tempo, contente por ter sido um filme tão bem feito”, comentou.

Aula de história

Com o didatismo de uma aula de história, o cineasta narra o caso alternando uma modesta dramatização dos fatos (em preto-e-branco, com detalhes coloridos) com as impressões de um elenco de entrevistados que agrega quatro presidentes — Ernesto Geisel, José Sarney, Fernando Henrique Cardoso e Lula — e um ex-agente do DOI-Codi Marival Chaves, que chocou o público pela lucidez como descreve a brutalidade de prisões “mais ou menos legais” e aponta nomes de militares que atuaram em torturas.

“É gratificante levar tudo isso para a tela. Vi que algumas pessoas aplaudiram o filme de pé. Estou emocionado”, afirmou o diretor, logo depois dos aplausos. Durante a sessão, os espectadores reagiram com vaias à aparição de José Sarney na tela, e voltou a demonstrar insatisfação (só que menos barulhenta) durante as participações de FHC e Jarbas Passarinho. Antes da projeção, Jorge Oliveira pediu que o público aplaudisse respeitosamente o presidente do PPS, Roberto Freire, que estava na sala. “O filme é sobre o Fiel, mas poderia ser resumido como um filme sobre o povo brasileiro. Ele fala de democracia e pode ser uma arma poderosa para solucionar as denúncias que foram apresentadas”, definiu o político.

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