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Extra Alagoas, 27 de maio de 2008

Mister Fiel, filme sobre operário alagoano morto na ditadura estréia em novembro

Documentário de Jorge Oliveira conta a história da ditadura militar e a intervenção americana no Cone Sul

Da redação

O documentário longa metragem Perdão, Mister Fiel, que conta a história do operário Manoel Fiel Filho, morto nos porões do DOI-CODI de São Paulo em 1976, deverá estar concluído em novembro para entrar no Festival de Cinema de Brasília e no início de 2009 no circuito comercial de cinema. O jorna-lista Jorge Oliveira, diretor do filme, gravou no Pólo de Cinema de Brasília as penúltimas cenas que mostram o operário morto em uma das celas da DOI-CODI.

Segundo o diretor, as cenas são muito forte e emocionam quem as assistem porque são acompanhadas pela música o Bêbado e o Equilibrista na voz de Elis Regina. Em cada cela, na parede dos fundos estão escritas as palavras Paz, Esperança e Liberdade. Na última cela, Fiel aparece morto estrangulado por um par de meias azuis. O cenário foi construído no Pólo de Cinema por uma equipe de cenógrafos e arquitetos, depois de um levantamento minucioso feito no prédio do DOI-CODI em São Paulo.

As últimas cenas começam em São Paulo no dia 6, e serão filmadas no cemitério da IV Parada, no Braz, onde Manoel Fiel Filho, alagoano de Quebrangulo, foi sepultado depois de morto nos porões do DOI-CODI. Em Brasília, segundo Oliveira, participaram das filmagens mais de quarenta pessoas entre figurantes, técnicos, cenógrafos, produtores, maquiadores e elenco. "A história de Fiel", diz ele, "vai sensibilizar todo o país pela injustiça que se cometeu contra um operário militante do Partido Comunista Brasileiro, mas preso por engano. Na verdade, os policiais procuravam um homem chamado Fiori, nome muito parecido com Fiel, que também militava no PCB. Os brasileiros vão conhecer uma das histórias mais repugnantes e covardes que ocorreram durante os vinte anos de ditadura militar".

O documentário, que conta com mais de 150 pessoas entre figurantes e atores, já tem o certificado da Ancine - Agência Nacional de Cinema, que isenta de impostos às empresas que vão contribuir com a produção do filme. Mais de vinte depoimentos de políticos, sindicalistas e operários já foram tomados no Brasil e no exterior.

O cantor Djavan estuda a possibilidade de homenagear Manoel Fiel Filho com uma música para o filme. Mas já assegurou ao diretor a música Morena de Endoidecer para fazer parte de uma das cenas, a que a dona Thereza, mulher de Fiel, recebe as roupas do marido na porta de casa de perdão, Mister Fiel, na verdade, é um documentário um policial do DOI-CODI.

O filme também vai discutir não apenas a ditadura no Brasil como abordar a intervenção norte-americana no Cone Sul, quando os Estados Unidos criaram a Operação Condor para executar comunistas nos paí-ses da América do Sul, através dos agentes da CIA que estiveram no Brasil, no Chile, na Argentina, no Uruguai, na Bolívia e no Paraguai ensinando formas de torturas, métodos de seqüestros e desaparecimento de presos políticos.

Vários depoimentos no Brasil e no exterior já foram feitos, entre eles, os dos autores norte-americanos James N. Green e Jordan Yung professores da Universidade Columbia de Nova Iorque, que falaram sobre a intervenção de seu país no Cone Sul e na Operação Condor, condenando o próprio governo por não pedirem desculpas ao povo sul-americano pelas atrocidades cometidas contra eles no período do regime militar.

Ainda na área internacional, o filme já conta também, com o depoimento de Juan Pablo, filho do embaixador Orlando Letelier, assassinado nos Estados Unidos por um complô entre os governos americano e chileno, patrocinado pelo general Augusto Pinochet, então presidente do Chile, um dos mais perversos entre os ditadores sul-americanos. O depoimento foi feito pela jornalista Ana Maria Rocha na cidade de Valparaizo, no Senado Federal, onde Pablo exerce o mandado de senador.

No Brasil, segundo Oliveira, já foram ouvidos Frei Chico, irmão de Luis Inácio Lula da Silva, que diz ter levado o presidente para o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, o ex-ministro e ex-senador Jarbas Passarinho, que atuou como ministro no governo Médici e no governo Collor, o escritor Álvaro Caldas, autor do livro "Tirando o Capuz", o jornalista Audálio Dantas, que vivenciou a morte do jorna-lista Vladimir Herzog, como presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, seis meses antes da execução de Manoel Fiel Filho, Dom Tomás Balduino, e vários outros personagens importantes que fi-zeram história direta e indiretamente dos acontecimentos de 1976.

As cenas de Manoel Fiel Filho em Alagoas foram feitas o ano passado em Quebrangulo, terra do escritor Graciliano Ramos, onde ele nasceu e saiu ainda novo para São Paulo na década de 40. Durante as filmagens participaram mais de cinqüenta pessoas entre figurantes, atores e técnicos.

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