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Imprensa

 

Jornal do Brasil, 15 de setembro de 2007

Um engano que custou a vida do operário Fiel

O documentário Perdão, mister Fiel, que conta a história do operário Manoel Fiel Filho, morto nos porões do DOI-CODI em 1976, em São Paulo, deverá estar concluído até o final deste ano, mas já tem convite para participar de festivais de cinema no Brasil e no exterior. As gravações do operário na fábrica, de sua prisão em casa, quando se despedia da mulher, e das torturas que sofreu foram realizadas nesta semana, na capital paulista.

- A história de Manoel vai sensibilizar todo o país pela injustiça que se cometeu contra um operário, militante do Partido Comunista Brasileiro, mas preso por engano - diz o jornalista e diretor do filme, Jorge Oliveira. - Na verdade, os policiais procuravam um homem chamado Fiori, nome muito parecido com Fiel, que também militava no PCB. Os brasileiros vão conhecer uma das histórias mais repugnantes e covardes dos 20 anos de ditadura no país.

O documentário, que conta com mais de 100 pessoas entre figurantes e atores, já tem o certificado da Ancine - Agência Nacional de Cinema, que isenta de impostos empresas que vão contribuir com a produção. Mais de 10 depoimentos de políticos, sindicalistas e operários foram tomados no Brasil e exterior.

Perdão, mister Fiel vai abordar também a intervenção norte-americana no Cone Sul, quando os Estados Unidos criaram a Operação Condor para executar comunistas no Chile, Argentina, Uruguai, Bolívia e Paraguai e ensinar formas de torturar, seqüestrar e sumir com presos políticos.

Deram depoimentos os autores James N. Green e Jordan Yung, professores da Universidade Columbia de Nova York, que falaram sobre a intervenção de seu país no Cone Sul e condenaram seu próprio governo por não pedir desculpas ao povo sul-americano pelas atrocidades cometidas contra eles no período dos regimes militares.

O filme também conta com o depoimento de Juan Pablo, filho do embaixador Orlando Letelier, assassinado nos Estados Unidos por um complô entre os governos americano e chileno, patrocinado pelo general Augusto Pinochet, então presidente do Chile. O depoimento foi dado à jornalista Ana Maria Rocha, na cidade de Valparaiso, no Senado Federal, onde Pablo exerce o mandado de senador.

No Brasil, segundo Jorge Oliveira, já foram ouvidos Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que diz ter levado o presidente para o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC; o ex-ministro e ex-senador Jarbas Passarinho, que atuou como ministro nos governos Médici e Collor; o escritor Álvaro Caldas, autor do livro Tirando o capuz; o ex-presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo Audálio Dantas, que vivenciou a morte do colega Vladimir Herzog, seis meses antes da execução de Manoel Fiel Filho; Dom Tomás Balduino, e vários outros personagens importantes que participaram, direta e indiretamente, dos acontecimentos do ano de 1976.

As cenas de Manoel Fiel Filho em Alagoas foram feitas no início deste ano, em Quebrangulo, terra do escritor Graciliano Ramos, onde ele nasceu e saiu, ainda novo, para São Paulo na década de 40. Durante as filmagens, participaram mais de 50 pessoas entre figurantes, atores e técnicos.

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